Não é por acaso que
se fazem alterações às jantes e pneus. São um dos pontos fundamentais para que um
carro tenha um comportamento saudável, bom grip, e até melhores prestações.

JANTES
As jantes são muito importantes para
o comportamento e prestações do carro. É importante que sejam construídas com um
material simultâneamente leve e resistente. Quanto mais leves forem menor será a força de inércia provocada nas acelerações e travagens,
e menor será a massa não suspensa, o que
permite melhorar ambos os campos, por isso se costumam utilizar jantes de liga leve.
Outra questão de relevo no que
respeita às jantes é o Off-Set, que é o
local onde está centrado o cubo da jante. É o Off-Set que determina se uma jante fica
mais para fora, ou mais para dentro da carroçaria. Quanto mais central fôr o Off-Set,
melhor será o equilíbrio da jante. Por vezes utilizam-se espaçadores de rodas para simular uma jante com
Off-Set mais interior, o que nem sempre dá bons resultados, provocando vibrações e
instabilidade por causa do excesso de peças independentes (espaçadores, extensores de
pernos, além das peças normais
).
Outro aspecto importante é a largura da jante, cujos valores normais oscilam
entre as 5 e as 7 polegadas. Uma das técnicas que se costumam utilizar para que o
conjunto jante / pneu seja mais equilibrado é a de usar jantes com largura
sobre-dimensionada, para que o pneu fique alojado de forma mais sólida e tenha menos
tendência para dobrar.
Por regra, quanto mais jante e menos
pneu, melhor. Isto é, sem alterar o diâmetro total da roda (jante + pneu), utilizar uma jante maior com um pneu mais baixo. Esta
alteração vai contribuir para uma maior solidez do conjunto, maior capacidade de
transferir a potência ao solo, e melhor capacidade dos pneu para suportar cargas
laterais.

PNEUS
Os pneus são os responsáveis
directos pelo contacto com o solo, na verdade são os únicos componentes que tocam
asfalto (uau, grande novidade!). Mas este comentário serve para lembrar da enorme
importância que os pneus têm. Maus pneus podem deitar por terra todo o esforço feito
para melhorar outras áreas do carro. Por outro lado, bons pneus podem realçar tudo o que
de bom um carro tem, mas isto nem sempre significa que um bom pneu é o que tiver melhor
aderência
pois é, isso depende do carro e do tipo de condução que cada um gosta
de praticar.
O problema é que um pneu com altos
níveis de aderência tem normalmente tendência para passar bruscamente para uma
situação de falta dela. Por vezes é preferível utilizar um pneu com menos aderência
mas com maior regularidade de utilização, e com menos variações face a temperaturas
diferentes de utilização. Claro que o pneu perfeito é díficil de encontrar, e que isso
depende também do tipo de asfalto (é óbvio que numa pista os pneus slicks são os
melhores, mas numa estrada normal podem não ser
).
No fundo, tudo depende do utilizador e
daquilo que a experiência lhe fôr ensinando. Não há marcas nem modelos definitivamente
melhores. Mas uma coisa é certa, um pneu de chuva não será certamente bom em piso seco,
e um bom pneu terá certamente um período de vida útil inferior ao de um pneu normal,
embora muitas vezes, um bom pneu gasto seja bem melhor que um pneu normal em bom
estado
As medidas dos pneus são importantes. Quanto
menos altura do perfil melhor, para evitar a
tendência torsional. Quanto à largurado piso,
não convém exagerar, pois a largura excessiva vai diminuir a velocidade (mais atrito) e
aumentar os consumos. Mas um aumento da largura bem pensado pode ter enormes benefícios
em termos de comportamento dinânico e de capacidade de travagem.

DIÂMETRO
DA RODA
Este é um tópico importante, e que
pode desmistificar algumas lendas do mundo do tuning
.
Em primeiro lugar, vamos tratar do
diâmetro total da roda (jante + pneu). Este valor tem uma influência decisiva em dois
campos: o comportamento do carro, e
principalmente as relações da caixa de
velocidades que são definidas para uma medida de roda específica
a de origem.

Influência
na Caixa de Velocidades
Começando pelo segundo campo, a regra
é simples, quanto maior fôr a roda maior será a
velocidade de ponta, e o carro terá melhores capacidades a partir dos últimos 15% de
velocidade possível disponíveis, o que se explica pela facilidade em galgar
terreno em menos rotações, e quanto maior for a rotação maior é a distância
percorrida num dado espaço de tempo. Isto apenas pode não resultar no caso do carro não
ter a força suficiente para esgotar a última
mudança, ou o tempo suficiente para embalar e aproveitar realmente as dimensões
superiores. Em baixas rotações, ou em mudanças baixas (1ª,2ª e 3ª), as prestações vão piorar.
Embora se atinjam sempre velocidades superiores em cada uma destas mudanças, a verdade é
que se demora mais tempo para as atingir.
Já com rodas mais pequenas,
verifica-se o inverso. A velocidade de ponta desce,
se comparada com as mesmas r.p.m, embora normalmente os carros em que se diminui o
diâmetro da roda tenham mais facilidade em
atingir rotações mais altas na última relação de caixa, que com o diâmetro
normal poderiam não conseguir, o que se traduz muitas vezes num aumento da velocidade de
ponta que tende a ficar igual à de origem, mas isto depende muito de carro para carro, e
da diminuição do diâmetro ser ou não muito exagerada. Nas mudanças mais baixas (1ª,2ª e 3ª), os ganhos de performance podem ser
significativos, subindo de regime bem mais depressa por haver menos inércia, volume e
massa nas rodas e maior capacidade rotacional, o que permite que o carro esteja mais tempo
em regimes altos, onde normalmente estão os
cavalos!
Assim fácilmente se conclui, que num
prisma puramente direccionado para as prestações do carro em termos de velocidade, se
recomendaria rodas maiores para uma utilização tipo auto-estrada, e que rodas mais
pequenas seriam o ideal para percursos sinuosos, com mais curvas do que rectas, em que o
poder de aceleração a partir de regimes muito baixos é fundamental.

Influência no Comportamento do Carro
Esta é a parte mais controversa da
questão das medidas das rodas. Hoje em dia está muito na moda o exagero nas medidas totais escolhidas. A verdade
é que quando observamos o que se pratica na competição automóvel, seja nos Karts, nos
F1 ou nos Rallys, não encontramos indícios de que essa prática seja a mais correcta,
antes pelo contrário, algumas vezes. Claro que isto não é linear, e mais uma vez o tipo
de percurso, de condutor, e de carro são determinantes para escolher a melhor opção
(por exemplo para correr no DTM as medidas exageradas são uma necessidade).
Mas creio ser possível estabelecer
algumas normas, fácilmente verificáveis.
Para rodas maiores do que o estabelecido pelo
fabricante é fácil concluir o seguinte:
·
O comportamento fica mais duro, preciso e incisivo.
· Por outro lado fica
menos flexível, ou seja, perde capacidade de correcção de trajectórias e de
reajustamentos, devido ao excesso de massa e inércia na roda e também por ser mais lenta
a transferência da potência para as rodas.
· Exige um tipo de
condução preciso, pouco dado a aventuras (por vezes tão divertidas), e um percurso que
se coadune com esse tipo de condução (rectas).
· O poder de travagem
normalmente melhora (menos tendência para bloquear as rodas), mas para se obter melhores
resultados devem ser instalados também discos maiores.
· O aspecto fica
também agradável, para quem gosta do estilo germânico.
Para rodas menores do que o estabelecido pelo
fabricante as conclusões são estas:
·
O comportamento fica mais suave, acusa menor precisão, mas fica também mais incisivo na
medida em que todos os movimentos de direcção são mais rápidos.
· A flexibilidade
aumenta, é mais fácil e agradável corrigir trajectórias, e a potência chega mais
depressa às rodas para ajudar nos reajustes.
· A condução
torna-se mais divertida, e aumenta a maneabilidade em percursos sinuosos.
· O poder de travagem
diminui! A tendência para bloquear as rodas é superior, e mesmo fazendo melhoramentos
nos discos, cabos e pastilhas, o resultado pode ser ainda pior (maior poder de travagem
para menos capacidade de criar atrito resulta mais em deslizar do que em travar, no
entanto a utilização de uma largura maior de pneu pode ajudar a manter os níveis de
atrito). Isto pode ser contra-balançado pela adopção de um estilo de condução menos
apoiado nas travagens.
· O aspecto fica
também agradável, para quem gosta de carros tipo Kart, ou Euro Drag e perícias.
Agora cada um faz a sua escolha, de
acordo com as necessidades. Eu já escolhi! |