Aditivos


 

 

Existem vários tipos de aditivos, para várias aplicações e áreas diferentes, de muitas e variadas marcas. Isto todos sabemos. Outra coisa que todos sabemos é a fama que estes aditivos têm, na sua generalidade, de não passarem de “banha de cobra”. No entanto não seria justo colocar todos os aditivos no mesmo saco, até porque alguns não têm segredo nenhum e fazem mesmo aquilo que prometem.

ADITIVOS DE GASOLINA

Os aditivos de gasolina são os que mais confiança inspiram. Os que oferecem ganhos de performance são normalmente baseados no aumento do nível de octanas da gasolina, o que realmente faz melhorar as performances na medida em que a gasolina fica mais “explosiva”. Este efeito nota-se com maior intensidade nos motores com taxas de compressão elevadas (acima de 10:1) na medida em que estes necessitam de um combustível mais “activo”. Os manuais de mecâncica recomendam um mínimo de 100 octanas para motores com taxas de compressão acima de 10:1, e como todos sabemos a nossa gasolina tem apenas 95 ou 98 octanas. Existem no mercado aditivos que aumentam desde 1,5 octanas (cerca de 900$00), e outros que aumentam até 7 octanas! (neste caso pode custar quase 5000$00).

Os aditivos para limpeza de injectores e válvulas são, pelo menos, inofensivos. Mais uma vez o que estes aditivos fazem é aumentar o volume de substâncias cuja função é exactamente a limpeza dos injectores e válvulas que a gasolina já tem de origem. Este aumento provoca realmente melhoras na eficácia de limpeza, mas não faz milagres nos casos mais radicais em que existem muitos detritos a obstruir a passagem da gasolina.

ADITIVOS PARA O ÓLEO DO MOTOR

Estes aditivos não devem ser confundidos com os aditivos para o próprio motor que serão tratados posteriormente. Neste caso podemos encontrar mais um género de aditivos que realmente fazem o que prometem, na medida em que realmente não prometem nada de especial e podem ser verificados os resultados com facilidade. O que estes aditivos fazem é adicionar ao óleo alguns agentes que regeneram propriedades perdidas durante longos períododos de tempo, ou que retardam a perda dessas mesmas propriedades. Alguns aditivos ainda melhoram a resistência às temperaturas e combatem a perda de viscosidade. Estes resultados não são obtidos por “passes de magia” mas sim seguindo uma regra simples, muito útil quando aplicável: quanto mais melhor. Esta regra é verdadeira no que toca a alguns dos componentes dos óleos utilizados nos motores.

ADITIVOS PARA O MOTOR

É aqui que as coisas se complicam. Mais uma vez existe demasiado marketing, poucos testes, provavelmente pouca verdade também, e ninguém sabe muito bem o que fazem estes aditivos. Eis as promessas: maior potência, maior binário, maior compressão, menores consumos, menos fricção interna, maior durabilidade do motor etc etc etc…. ou seja, tudo do bom e do melhor. Parece um sonho… Existem pelo menos 100 marcas diferentes destes aditivos, todos prometem o mesmo, todos garantem que o efeito se mantém após várias mudanças de óleo, e nenhum deles, nem um que seja, é ou foi alguma vez recomendado por algum fabricante de motores. Dá que pensar… mas na verdade, se pensarmos seriamente, é fácil entender que um fabricante de motores não recomende um produto que promete melhorar o funcionamento do motor, seria suicídio comercial dar a ideia que o motor produzido precisa de aditivos para funcionar bem…

Existem vários tipos de aditivos para o motor, que se diferenciam pelo material usado para o prometido revestimento de todas as partes móveis do motor. As principais categorias de materiais são as seguintes: o Zinco, os compostos Cerâmicos, o PTFE (também conhecido por Teflon, a substância mais escorregadia do mundo), e todos aqueles que não são divulgados e que só um teste laboratorial poderia determinar, mas testes são coisa que não abunda neste ramo da indústria (pelo menos minimamente credíveis!)

Há quatro factores a ter em conta na avaliação destes aditivos: 

·        A capacidade do principal componente utilizado para realmente produzir os efeitos prometidos.

·        A ocorrência ou não do revestimento das partes móveis do motor. Muitos destes aditivos ficam diluídos no óleo, e não passam daí, acabando o seu efeito na primeira mudança de óleo.

·        A possibilidade destes aditivos se tornarem num agente capaz de obstruír as passagens de óleo internas do bloco do motor e do filtro de óleo.

·        A  possibilidade do aditivo conter agentes detergentes que limpam o motor e soltam as camadas de carvão e outros resíduos que se acumulam nos motores mais rodados (acima de 50 mil Km) e que podem destruir permanentemente a compressão interna dos cilindros, sendo úteis apenas nos motores novos.

MATERIAIS UTILIZADOS

De forma sucinta, e tentando manter a imparcialidade, apenas informo o seguinte: o Zinco é um metal, logo tem as suas vantagens (capacidade para cobrir falhas) e desvantagens (obstrução), os compostos cerâmicos são muito utilizados nos motores de competição mas não sob a forma de aditivos, os próprios motores sofrem esse tratamento na sua construção, e os seus efeitos são reconhecidamente bons o que não significa que na forma de aditivo o mesmo se verifique, o PTFE tem o recorde mundial como substância mais escorregadia do planeta, o que por um lado parece ser bom no que respeita à capacidade de diminuir a fricção interna do motor, mas por outro lado indica que tal substância seria incapaz de se manter no revestimento do motor permanentemente, contrariando a sua principal propriedade. Quanto aos materiais desconhecidos, nada se pode dizer.

Quanto aos outros factores é difícil estabelecer parâmetros de avaliação por várias razões em que se destacam a falta de testes oficiais e a propositada falta de informação que os próprios produtores praticam quanto ao conteúdo das embalagens.

De qualquer forma, seguindo as tendências internacionais nos media e observando as várias políticas de marketing é possível ter uma percepção geral do que realmente se passa. É notório que uma empresa que se empenha a fundo na divulgação do seu produto com promessas miraculosas está a correr um risco muito superior caso o produto seja afinal “banha de cobra”. Mas isto não significa nada, até porque neste ramo o descaramento impera e torna mais difícil avaliar as situações. Basta ver o exemplo do famoso Slick 50, que é o aditivo mais vendido do mundo, e provávelmente o mais publicitado também, e está a braços neste momento (1999) com um enorme processo judicial por fazer promessas que não foram de forma alguma comprovadas (ATENÇÃO- nenhuma das promessas foi comprovada, e grande parte delas foram provadas como falsas), o que levou a que a empresa desistisse de apresentar o recurso da decisão que não lhe foi favorável e passásse a utilizar outros meios de marketing para promover o seu produto. Interessante… Mas não devemos perder a esperança. 

RECOMENDAÇÕES

Estas são as recomendações possíveis: 

·        Não acredite nos produtores. Antes procure falar com as pessoas do meio, principalmente mecânicos e outras pessoas que já tenham utilizado este tipo de aditivos. A experiência é a única forma segura de avaliação.

·        Procure toda a informação possível, alguns destes aditivos foram testados por revistas de automóveis, o que faz crescer bastante a sua credibilidade.

·        Se possível não utilize estes aditivos. Se não precisa, não se usa. A maior parte dos motores modernos são suficientemente avançados tecnológicamente nas técnicas de fundição do metal para dispensarem qualquer aditivo.

·        Havendo tantos produtos, e tão diferentes entre si, podemos concluir o seguinte: se todos falassem a verdade era rara a substância que não fizésse milagres dentro do motor… não me parece razoável.

·        Isto é tudo uma questão de fé, muitas vezes o descanso psicológico vale a compra de um aditivo, desde que este não tenha efeitos nocivos para o motor.